Aumento da oferta de ultraprocessados, padronização dos modos de vida e dados sobre consumo e saúde entre crianças preocupam, mas região resiste com saberes e práticas
É 6h35. O sol está despontando, mas já estamos atrasados: às quinta-feiras Caruaru acorda para trabalhar às 3h. A cidade das feiras começa cedo. A movimentação é grande. Pessoas com sacolas feitas de jeans já estão no caminho de volta. Em poucos minutos, chegamos no patrimônio imaterial brasileiro pelo Iphan, a Feira de Caruaru. Nossa ida é motivada pela pergunta: o Nordeste vive uma transição alimentar? Mais salsicha e menos frutas? Mais pão de forma e menos farinha de mandioca?
No caminho, vimos barracas de lanches com frituras e salgados de forno, além de castanhas de caju, cachorro quente, batata frita e churros. Na praça de alimentação, se tirassem os relógios, seria facilmente o horário do almoço. “Self-service sem balança é R$ 22”, ouvimos. Na bancada tinha arroz, macarrão, feijão, churrasco e salada.
Depois de circular entre os boxes ouvindo e conversando com os sulanqueiros, como são chamados os integrantes da Feira da Sulanca, fomos até o restaurante mais movimentado e perguntamos qual o prato que mais sai. “Em primeiro lugar, cuscuz”, diz o vendedor. “Em segundo, hamburguer.” Uma mistura que nos acompanharia ao longo desses meses pesquisando o assunto: na vida real, as fronteiras entre saudável e não saudável têm bastante fluidez.
Nos únicos dados nacionais disponíveis, o Nordeste figura como uma região que consome menos ultraprocessados, especialmente na comparação com Sul e Sudeste. Mas a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, oferece a essa altura um retrato antigo, de 2017 e 18, antes da pandemia, de Jair Bolsonaro e das altas explosivas nos preços de alimentos básicos. A próxima edição da POF já está em andamento, mas os dados não serão conhecidos tão cedo. Então, fomos em busca de respostas à nossa pergunta-chave.
E decidimos começar pelo entorno, para depois tentar entender a realidade mais ampla de uma região tão diversa. É esse local que utilizaremos como lente de aumento para visualizar a região Nordeste. O processo de transição alimentar se dá (I) através da adaptação de uma criança a novos sabores e texturas ou (II) à mudança no perfil nutricional de uma população. Em ambos os casos, fatores como industrialização, economia, urbanização, acesso a alimentos saudáveis, vida contemporânea e política pública são influenciadores da decisão sobre o que comer.
Caruaru é a segunda cidade mais populosa do interior de Pernambuco e a maior do Agreste, com 378.052 habitantes. Uma pesquisa realizada pelo IBGE demonstrou que em 2018 Caruaru ocupava a 3º posição quanto ao maior Produto Interno Bruto (PIB) da região Nordeste, no comparativo apenas com os municípios interioranos. Além da feira, tornou-se conhecida internacionalmente por sua arte: xilogravura (mestre Dila), artesanato (mestre Vitalino) e música (Onildo Almeida). Por tudo isso, Caruaru adquiriu apelidos: Capital do Agreste e Princesinha do Agreste.
O historiador caruaruense José Urbano nos explica a origem da cidade. A capela de Nossa Senhora da Conceição, construída dentro da fazenda Caruru em 1781, tornou-se um ponto de referência para os viajantes que vinham do sertão para o litoral e para os comerciantes que transitavam entre Alagoas e Paraíba. O surgimento de comunidades nos sítios ao redor da fazenda e a possibilidade do uso da frente da igreja como oportunidade para escambo de produtos agrícolas produzidos por eles próprios demarcaram o espaço e a atividade desenvolvida.
“A pequena sociedade que começou a se formar dentro do território da fazenda Caruru, e não Caruaru, de propriedade do José Rodrigues de Jesus, nasce com essa característica de que as pessoas e os pequenos agricultores da região vinham trocar suas mercadorias, já que o próprio acesso ao dinheiro não havia”, diz Urbano. As pessoas que consumiam eram os próprios agricultores, que, na troca de mercadorias, garantiam o abastecimento das famílias.
A música “Feira de Caruaru” (1957) composição de Onildo Almeida, eternizada na voz de Luiz Gonzaga, é um indicativo da relevância da feira para a cidade, a economia e a cultura.
José Urbano diz que a inauguração da estação de trem, em dezembro de 1895, abriu para Caruaru um novo momento, pois mercadorias começaram a chegar com mais facilidade – entre elas, produtos enlatados e industrializados, como queijo do reino e azeite. “Eram consumidos por uma minoria da sociedade, que podia pagar por esses produtos considerados da mesa das elites.” Urbano continua: “As pessoas adquiriam mercadorias na feira ou mesmo comprando de comerciantes lá do Recife, recebendo essa mercadoria nos trens. Elas podiam agora [vender], não como supermercados, mas como bodega ou mercearia.”
Nascido como Mercearia Brasil, o Bonanza cresceu como supermercado. Djalma Farias Cintra, com ajuda do pai, comprou em 1958 uma loja que estava sendo revendida. 18 anos mais tarde, em 1976, foi inaugurada a primeira loja do Bonanza supermercado, em funcionamento até hoje, a menos de um quilômetro da feira de Caruaru.
Assim como Caruaru, o Bonanza se espalhou: são 28 lojas em 12 cidades de Pernambuco, sendo 10 no município de origem, onde também fica o centro de distribuição. Segundo ranking feito pela Econodata, o Bonanza está na segunda posição das 100 empresas com maior faturamento em Caruaru. Uma multiplicação que ajuda a entender as transformações pelas quais o Nordeste veio passando, com a interiorização de um modelo de compra antes restrito às grandes cidades.
Essa transição se torna mais evidente se observamos, também, que a antiga mercearia convertida em rede milionária está, hoje, acompanhada. Em Caruaru o Bonanza concorre com supermercados locais e nacionais, como UniCompra (1 loja), Ideal (4 lojas), Assaí (2 lojas), Cestone (4 lojas), São Luís (3 lojas), Atacadão (2 lojas) e Mix Mateus (1 loja).
Além de mercados de bairro, hortifrutis e quitandas, Caruaru tem 16 feiras livres registradas e distribuídas nos 81 bairros, distritos e zona rural. Isso significa que bairros onde moram 60 mil pessoas (quase um sexto da população) não contam com esse equipamento público.
Mais lidas do mês
Comida chique
Subindo um pouco no mapa do Brasil, vamos para o Rio Grande do Norte. Lá encontramos a cozinheira e escritora Sandra Guimarães, nordestina que mora no exterior desde 2002. Voltando ao Brasil de tempos em tempos, e tendo a alimentação como questão central no trabalho, ela se tornou uma observadora das mudanças que por vezes podem passar despercebidas no corriqueiro – parte das observações está disponível em seu blogue, PapaCapim.
Sandra nos conta que na sua infância, ali pelos anos 80 e 90, eram poucos os ultraprocessados na mesa da família. Nada de biscoitos recheados, iogurtes ou nescau. Nos anos 2000, quando emigrou, as mudanças dentro e fora de casa já estavam em curso, mas tapioca, ovo e cuscuz continuavam firmes. Já nas suas últimas visitas, a partir de 2020, a situação é outra.
Esse contexto chamou tanto a atenção de Sandra, que, para além dos seus estudos e trabalhos formais, criou uma pesquisa informal nomeada de “UBGE” – um IBGE de Uber: toda vez que entra em um carro vinculado à plataforma de transporte, a pergunta para o motorista é “O que você comeu no café da manhã?”. Dentre tantos relatos, Sandra já ouviu que macaxeira e batata-doce são comidas de velho, do interior. A comida do atraso.
Uma argumentação recorrente no UBGE é de que “seus pais e avôs” se alimentavam dessa forma, mas que o pão com requeijão se tornou o mais corriqueiro hoje. O pão se tornou moderno: algo que nos acompanharia ao longo desses meses. Outra dá conta de que o êxodo rural causa uma desconexão com as raízes – literais e alimentícias, como macaxeira, batata-doce e inhame, assim como rouba tempo para o preparo das refeições.
Olhando os dados das três últimas edições da POF, o Nordeste tem um aumento de 4,4 pontos percentuais no consumo de ultraprocessados nos últimos 16 anos. Isso significa que, em 2017 e 18, esses produtos representavam 14,4% da disponibilidade diária de energia do nordestino – abaixo da média nacional, de 18,4%. O aumento no Nordeste está longe de ser o maior, mas o número e a realidade que o acompanha dão sinais de mudança.
O maior aumento de consumo foi o de frios e embutidos (0,8%). Mas, na outra mão, chama mais atenção a diminuição mais acentuada do consumo de farinha de mandioca (5,6%). A mandioca tem um papel fundamental na cultura alimentar do Nordeste e do Brasil, desde seus componentes nutricionais até a sua importância social e histórica na formação do país. Então, o que a está substituindo no prato dos nordestinos?
O consumo do pão francês pode nos trazer algumas pistas. O queridinho das famílias brasileiras vem de um ingrediente estrangeiro que precisou passar por 40 anos de testes e melhoramento genético das plantas para se adaptar ao clima tropical brasileiro.
E, ainda assim, a produção nacional não dá conta da demanda. Em 2015, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), o setor precisava de 11 milhões de toneladas. Do total produzido aqui, apenas 30% serviam para a panificação. A demanda continua crescendo. Em 2025, os números fornecidos pela Conab estimam que o Brasil vai produzir cerca de 8,5 milhões de toneladas para um consumo previsto de 12 milhões de toneladas.
“Porque o pão industrializado, sem nenhum nutriente, era fino. Era chique.” Sobre a mesa tinha macaxeira, goma de tapioca e cará. Mas o pai de Sandra Guimarães queria, mesmo, era o pão de forma, acompanhado de manteiga e café com leite: na visão dele, uma refeição fina e chique.
Sertanejo, caboclo, de 80 anos, ele sabe muito bem o que é macaxeira: passou a vida cultivando. Por isso, o pão de forma parece justamente o contrário do que verdadeiramente é. Tirar da terra, com sol, suor e cansaço a sua alimentação é diferente de abrir a geladeira do supermercado e ter acesso livre e imediato a qualquer alimento. A mandioca carrega o peso da enxada. O pão de forma, a leveza da escolha fácil.
O Nordeste é a região brasileira que tem passado por um somatório de transformações que podem criar um cenário dos sonhos para a indústria de ultraprocessados – e preocupante para a saúde pública. O índice de urbanização tem crescido, o que também afeta o acesso a produtos não saudáveis. E, à diferença do Norte, cortado por rios, o Nordeste é conectado por estradas, que é mais um fator que altera a disponibilidade.
“Décadas atrás a gente tinha mais frutas disponíveis na rua e nos quintais. O processo de urbanização também roubou isso”, comenta Fernanda Pinto, do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mais pessoas vivem em prédios, principalmente em grandes centros. Algumas cidades do Nordeste viram ao longo do século uma explosão nos índices de violência. A preocupação com segurança é a principal característica levada em conta pelos brasileiros na hora de escolher um imóvel, segundo levantamento realizado pela Loft, em parceria com a Offerwise.
Caruaru é um exemplo dessa mudança.
De acordo com dados do Censo do IBGE, a cidade apresentou um crescimento na proporção de apartamentos em relação ao total de domicílios. Em 2010, 9,1% dos domicílios em Caruaru eram apartamentos. Em 2022, a proporção foi de 18,8%. Mais prédio enquanto a Caatinga diminui no estado: em 2020, 51% da vegetação havia sido desmatada, o que significa menos áreas verdes com árvores frutíferas. “Às vezes a pessoa não tinha no seu quintal [árvores frutíferas], mas ia no campo e tinha, por exemplo, árvore de manga, do jambu”, completa Fernanda, da UFPE.
Em Pernambuco, o índice de obesidade entre adultos dobrou em menos de vinte anos, segundo a Vigitel, que é uma pesquisa realizada anualmente pelo Ministério da Saúde. Em 2006 correspondia a 11,8% dos entrevistados. Em 2023, chegou a 24,3% do público. Um outro dado chama atenção: o excesso de peso e a obesidade em adultos do Sertão Pernambucano – o excesso de peso correspondia a 63,9% da população analisada e a obesidade abdominal a 66,8%.
As crianças vêm primeiro
“Meus pais não tinham dinheiro para comprar.” Maria Andréia, 42 anos, cresceu em Jupi, cidade que tem hoje 15 mil habitantes, no Agreste de Pernambuco. Ela é beneficiária do Bolsa Família e cuida dos dois filhos, de nove e de quatro anos, sem ajuda financeira do ex-marido.
O garoto de nove provou morango pela primeira vez aos três anos: “Eca, é muito azedo”, disse, e cuspiu o que estava na boca. O pai das crianças costumava dar iogurte “sabor morango”.
Na infância, Maria Andréia não consumia bolachas, biscoitos e iogurtes. “Hoje faço questão que meus filhos tenham vida de rico, comam tudo que querem.”
A história ilustra o que tem sido encontrado mundo afora, país após país, região após região: crianças apresentam um maior consumo de ultraprocessados. Segundo o Atlas da situação alimentar e nutricional de Pernambuco, em 2019, 52% das crianças de 6 a 23 meses de idade já consumiam ultraprocessados. Para que se tenha uma ideia, o Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos, do Ministério da Saúde, recomenda que nenhum produto desse tipo seja consumido nessa etapa da vida.
“As crianças vão definir os padrões alimentares daqui a 10 anos. Então, essas mudanças intergeracionais já estão acontecendo de forma muito rápida e parece que as gerações mais jovens vão crescer com a mudança muito grande no paladar”, alerta Fernanda Pinto, professora do curso de Nutrição da UFPE.
Para entender esse cenário, realizamos uma espécie de quebra-cabeças com os dados disponíveis sobre o consumo alimentar de crianças. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) 2006 analisou dados de 5.056 crianças menores de 5 anos. Arroz, frutas e verduras, e feijão eram, de longe, os alimentos mais consumidos. 70% das crianças entre seis meses e um ano consumiam arroz diariamente. De um ano em diante, quase 90% consumiam arroz diariamente, e ao menos 70% relatavam o mesmo para o feijão.
Sete anos mais tarde, a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, já dava sinais de mudanças. As crianças brasileiras como um todo estavam consumindo, com frequência, produtos nada saudáveis. Embora consumissem menos refrigerante e suco artificial, as crianças nordestinas já estavam num nível de consumo de biscoitos semelhante ao de crianças de Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
“Acredito que o que a gente vai ver no Brasil, se nada for feito, é um consumo alimentar cada vez pior, de uma menor qualidade para crianças. E isso vai refletir de diversas maneiras na saúde deles”, resume Natália Oliveira, analista de dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, o Enani. “O que a gente tem visto são prevalências maiores de sobrepeso, de obesidade, de deficiências até de micronutrientes, porque uma vez que a gente muda o perfil de consumo, pode ser que a deficiência de micronutrientes também mude.”
Com a primeira edição realizada em 2019, o Enani já retrata uma realidade bastante alterada. Os ultraprocessados mais consumidos por crianças no Nordeste eram farinha infantil ultraprocessada, biscoito doce, bebidas lácteas, biscoito salgado, salgadinho de pacote chocolate, sorvete e gelatina.
O que é o Enani
O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil 2019 (Enani), coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com financiamento do Ministério da Saúde, teve como parceiros a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de ter contado com o apoio técnico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unifec). É uma pesquisa que ajuda a visualizar a qualidade da alimentação de crianças de até seis anos do país. Tem como objetivo estimar e avaliar parâmetros relacionados às práticas de amamentação, ao consumo alimentar, ao estado nutricional antropométrico e à epidemiologia das deficiências de micronutrientes, segundo macrorregiões do país, faixa etária e sexo.
Em Pernambuco, segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), em 2020 essa lista era composta por hambúrguer e embutidos; macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado; bebidas adoçadas; biscoito recheado, doces ou guloseimas, consumidos por crianças com idade entre 5 e 10 anos.
Descobertas científicas recentes aumentam a preocupação em torno do consumo desses produtos por crianças. Pesquisadores têm revelado que ultraprocessados podem estar associados a dependência (com outras palavras, vício).
A tese de doutorado da pernambucana Gabriela Carvalho Santos mostra que essa conduta consiste na alteração crônica dos hábitos, o que privilegia o consumo de alimentos ricos em calorias, açúcares, gorduras saturadas, sal e aditivos. Uma das hipóteses é de que os ultraprocessados desregulam os sinais de fome e saciedade, o que se manifesta em sintomas de dependência e comportamento obsessivo-compulsivo.
O Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional revela que, até setembro de 2022, mais de 340 mil crianças de 5 a 10 anos de idade foram diagnosticadas com obesidade no Brasil e quase 1,4 milhão de adolescentes entre 10 e 19 anos de idade.
A região Sul possuía 11,52% de crianças obesas nessa faixa etária, seguido pelo Sudeste, com 10,41%; Nordeste, com 9,67%; Centro-Oeste, com 9,43%; e Norte, com 6,93%.
Em Pernambuco, 18,84% da população entre 10 e 19 anos, atendida pelo SUS, estava com excesso de peso. Um estudo realizado em 2006 registrava um índice mais baixo: 13,3%, neste caso considerando crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos.
“Muitas pessoas estão experimentando”
Os primeiros posts da conta @GabyCoutinho.Ofc no TikTok são da mãe de Manu, Gaby, fazendo dublagens e trends. Em seguida, o assunto principal dos vídeos é a mãe, cuidando dos longos cabelos cacheados da filha. Entre conteúdos que mostram a rotina da família, técnicas de finalização de cabelo e comentários sobre derrotas e vitórias do Flamengo, as duas, mãe e filha, postam fazendo combinações inusitadas de alimentos, itens para a salada de salgadinho com Coca-Cola e a receita de sorvete com apenas três ingredientes. Mas os vídeos que mais geram engajamento são aqueles que mostram Manu, a filha, experimentando alimentos pela primeira vez, incentivada pela audiência.
No primeiro vídeo desse tipo, postado em abril de 2024, ela experimenta a bala Fini de ovos fritos, o Doritos sabor pizza e o Cheetos super cheddar. A revelação dos itens é acompanhada do anúncio dos preços e do desejo de que seja bom, para enfim receber uma análise. É costumeiro que antes de abrir o item Manu fale: “muita gente me recomendou”, “muitas pessoas estão experimentando”.
Manu, entre 10 e 12 anos de idade, é uma criança negra, pobre, que mora junto com os pais no norte de Minas Gerais. À medida que seus vídeos experimentando ultraprocessados vão ganhando notoriedade, a fala “era o meu sonho” surge e se torna um viral. O perfil das duas hoje tem mais de 1 milhão de seguidores e a família já fez publicidade para a Bauducco.
“O marketing e a propaganda têm um papel muito importante nisso. Entra nas casas com facilidade muito grande por conta das telas. Não só a televisão, mas o celular ajuda essa informação a adentrar nos lares das famílias”, comenta Natália Oliveira, analista de dados do Enani.
Vídeos no YouTube de crianças fazendo mercado, comprando brinquedos e consumindo guloseimas enquanto brincam são o principal conteúdo que a filha de quatro anos de Simone Maria, 37, gosta de assistir. O canal favorito dela é o de Maria Clara e JP, os irmãos cariocas que moram nos Estados Unidos, que somam mais de 30 bilhões de visualizações no YouTube. “Ela começou a comer M&Ms depois de ter visto em um vídeo deles”, disse Simone. O vídeo “Maria Clara e JP no chuveiro mágico de M&Ms” tem mais de 90 milhões de visualizações.
É difícil imaginar uma empresa mais habilidosa no cenário digital que a Nissin, fabricante do Miojo. A estratégia da empresa para plataformas como Instagram busca criar mensagens voltadas a nichos, ainda que esses nichos possam ser do tamanho de uma região inteira de um país chamado Brasil.
O Fundo de Quintal OFC, um grupo de garotos talentosos do Maranhão, encaixou com perfeição na estratégia da Nissin para difundir a linha Nosso Sabor. Pode parecer uma piada, mas a empresa consegue jurar que fabrica produtos específicos com o sabor do Norte e do Nordeste.
A influência da publicidade não afeta somente as crianças, cujo senso crítico ainda está sendo desenvolvido, mas também os adultos. Vanille Pessoa, ex-nutricionista da Estratégia Saúde da Família e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), nunca se esquece da história de uma criança de quatro anos de idade que havia desenvolvido diabetes tipo 2. Ao perguntar para a mãe sobre a dieta, descobriu que a garota só comia macarrão instantâneo. Mas a mãe fez questão de advertir: “Ele come um macarrão que é específico para criança, tem a foto da Turma da Mônica na embalagem.”
Natália Oliveira, do Enani, enfatiza que o marketing influencia a percepção do que é saudável e do que não é saudável. “A nossa construção social vem sendo feita desde o final do século passado. Algumas gerações passaram por um período em que o que era saudável era oferecer doce, a farinha industrializada, e não só o Mucilon, a farinha láctea, o Cremogema, amido de milho, Neston.” Como mostrou o Enani, esses produtos estão no top 5 dos produtos mais consumidos pelas crianças nordestinas.
E essa marca não foi alcançada por acaso, e nem da noite para o dia. O primeiro registro do jornal Folha de S. Paulo publicizando farinha láctea em suas páginas é de 1923. Já em 1928, o jornal aconselha, sem arrodeios, as mães a substituírem o leite materno por farinha láctea.
Ainda em 28, conforta aquelas que não puderam amamentar: “podem viver tranquilas”, tudo isso tendo o aval da comunidade médica da época, com anúncios que se valiam do depoimento desses profissionais como forma de convencimento. É possível encontrar anúncios direcionados aos profissionais de saúde orientando sobre a chegada do leite em pó “Leik – vitaminado” nas farmácias: “É indicado para complementação ou substituição do aleitamento materno.”
Ao longo das cinco décadas seguintes, o mercado de substitutos para o leite materno correu solto, sem regulamentação. O resultado foi uma queda expressiva nos índices de amamentação no mundo todo e o aumento dos casos de desnutrição e morte prematura entre crianças da América Latina, Ásia e África.
“Era comum crianças morrerem nos primeiros anos de vida.” Isso é o que diz minha mãe (Lucas, um dos autores deste texto). Cícera tem 68 anos e, junto com José Maria, seu esposo, teve oito filhos. Os dois primeiros, José Wilson, nascido em 1979 e Maria do Rosário, em 1980, morreram logo no primeiro ano de vida. As causas das mortes não se sabe ao certo, mas o médico da cidade arriscou uma explicação:
“Dona Cícera, a senhora tem o leite salobre, não serve para amamentar seus filhos.”
“Depois disso, eu não dei de mamar a nenhum de vocês”, conta minha mãe. Meu irmão mais velho, Carlos, nasceu em 81 e foi alimentado pelas farinhas disponíveis e por leite em pó, assim como Andréia e Fábio. Já Sinara não se adaptou ao leite em pó, nem às farinhas processadas: “Eu peneirava farinha de mandioca num pano de prato duas vezes, ficava bem fininha e fazia o leite dela”. Ricardo se adaptou ao leite em pó. Já eu, o mais novo, não: nem leite em pó, nem farinhas processadas, nem farinha de mandioca. “Você tomava leite Soy e leite de vaca.”
Como mostra o caso de Cícera, a isso se soma o imaginário de uma região de miséria, sobre a qual se projetam teorias racistas, como abordamos numa dupla de episódios do Prato Cheio narrados pela jornalista Fabiana Moraes. Nisso, os ciclos de seca ocupam lugar cativo.
Nathalia Souza, professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), comenta que nos anos 60 e 70 aconteceu mais um período de estiagem, característica do semiárido, que provocou, o êxodo de inúmeras pessoas. “Então, essas farinhas, Mucilon, por exemplo, e até a própria farinha de mandioca que era usada para engrossar o leite para a criança ficar mais forte, podem representar proteção para a criança no imaginário de alguns grupos populares, porque vem aquela memória da restrição, da fome.”
Os direitos trabalhistas e a rede de apoio também entram nessa receita. É importante destacar que vínculos frágeis de trabalho contribuem para a inserção cada vez mais precoce de ultraprocessados na dieta de crianças.
O Ministério da Saúde recomenda que o aleitamento materno seja mantido no mínimo até os 2 anos de idade, mas, segundo o Enani, há um cenário expressivo de desmame precoce no Nordeste: 38%, o maior do Brasil.
Outra história contada por Vanille Pessoa, da Federal de Campina Grande, ajuda a visualizar esse cenário. “Diz respeito a um casal que estava na unidade de saúde da família, os dois portadores de hipertensão arterial, os dois também convivendo com diabetes tipo 2”, conta. Apesar de pressão e glicose altas, o casal ia embora apenas com recomendações de cuidado.
Foi quando Vanille chamou os estudantes para fazer uma visita domiciliar. A primeira informação que apareceu, diz a professora, é que os dois são analfabetos e que por isso tinham dificuldade de tomar os remédios. A conversa continuou e o casal contou que costuma tomar suco de frutas todos os dias de manhã. Interessada e feliz com a notícia, Vanille perguntou onde eles conseguiam as frutas: “Professora, é muito fácil, em todo supermercado tem.” Em seguida, ela pediu para que o casal mostrasse a fruta e o preparo do suco: “Ele vem com um pacote de suco em pó, despeja todo o pó em um único copo, coloca água e duas colheres de açúcar e bebe.”
Pioras visíveis
A história exemplifica uma mudança que o Nordeste tem registrado. Embora todas as regiões do Brasil estejam apresentando piora constante nos indicadores de diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão, o Nordeste exibe um crescimento percentual que o aproxima da média do Brasil.
“O meu próprio pai é exemplo disso. Ele está diabético, no ano passado teve um infarto e um AVC com 4 meses de diferença”, contou Sandra Guimarães. O pai que enxerga o pão como um alimento chique coloca o quanto as consequências dessa transição alimentar já estão visíveis.
Explicações para a mudança do consumo alimentar são apresentadas na tese de doutorado de Maria Zênia Tavares da Silva, que analisou os hábitos de 12 famílias da zona rural da cidade de Cumaru (PE), a 115 quilômetros de distância do Recife.
O município possui uma área total de 293 quilômetros quadrados e 17 mil habitantes, com maior número de pessoas no meio rural (9.144) e menor na área urbana (8.039). É uma população pobre, em situação de vulnerabilidade social, sendo 22,42% em situação de extrema pobreza e 86,57% vulneráveis à pobreza.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) encontra-se numa classificação baixa, de 0,572. Possui um comércio local e uma feira livre, que acontece aos sábados. Há um predomínio da agricultura familiar, que revela a importância desse segmento na dinâmica econômica e social, além de estar próxima a Caruaru.
Das 12 famílias foram analisados os alimentos que são consumidos no café da manhã, almoço e jantar; onde as famílias compram os alimentos; e quais fatores determinam a escolha da compra.
As famílias rurais entrevistadas compram os alimentos principalmente em mercados locais, feiras livres e padarias. Apesar de produzirem alguns itens, como feijão, macaxeira, milho e galinha, que complementam a dieta, a dependência de mercados para a aquisição de alimentos industrializados e carnes é significativa. A compra e o preparo dos alimentos são geralmente responsabilidade das mulheres.
Há uma questão sensível: produtos processados e industrializados, como pão branco, biscoitos, mortadela e enlatados são adquiridos em estabelecimentos comerciais próximos ou em cidades vizinhas, como em Caruaru, nos supermercados Atacadão e Assaí.
As famílias forneceram diversas explicações para a compra de alimentos processados e ultraprocessados: custo mais acessível, maior durabilidade, praticidade no preparo, influência da mídia e modernização, mudanças nos hábitos urbanos e saúde. Um outro ponto que chama atenção é a substituição de pratos e de alimentos.
Nossa equipe fez um levantamento a fim de investigar o que os nordestinos estão comendo hoje, onde compram os alimentos e quais fatores afetam essa escolha. 77 pessoas dos 9 estados nordestinos responderam o formulário.
O principal obstáculo para uma alimentação saudável é preço. Perguntamos sobre o que poderia melhorar o acesso a alimentos saudáveis e acessíveis na sua região:
“Mais feiras livres e alimentos in natura mais baratos”
“Menor preço e disponibilidade de alimentos adequados, justos e saudáveis”
“Preços mais acessíveis e políticas públicas/projetos/programas para agricultura familiar”
“Baixar os preços das comidas de verdade: ovos, frutas, legumes, verduras”
Desde 2022, no Brasil, ultraprocessados são mais caros que os alimentos in natura ou minimamente processados, segundo estudo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Universidade de São Paulo.
Os alimentos in natura custavam, em média, R$ 15,11 em 2018 e chegaram a R$ 17,43 em 2022. Já os alimentos processados, no mesmo período, caíram de R$ 16,82 para R$ 14,96 e os ultraprocessados, no mesmo período, diminuíram de R$ 21,78 a R$ 18,60.
“Não quer dizer que não tem uma opção barata de alimento saudável”, comenta Natália Oliveira, analista de dados do Enani. “O problema é que a gente fica limitado às mesmas opções baratas do alimento saudável e aí o alimento ultraprocessado, que é barato, tem muitas opções para a pessoa consumir.”
A professora da UFPE Nathalia de Souza traz um outro ponto para esta discussão: a sensação de pertencimento social atrelada à melhora da condição econômica promovida pelos programas sociais. Ela explica que à medida que uma pessoa compra um alimento que antes não tinha condições, no imaginário, principalmente de pessoas com histórico de vulnerabilidade, emerge a sensação de pertencimento a uma classe social.
Uma das entrevistadas na tese de Maria Zênia Tavares da Silva sobre as famílias da zona rural de Cumaru diz: “naquele tempo [antes dos programas sociais] fazia o molho para comer com feijão… Saudade, sinto não. Faz com cebola de folha, coentro… fazia o bolo com o feijão e a farinha e molhava no molho. Era a carne naquela época… era o jeito de comer, mesmo. Não tinha outra solução”. Outra entrevistada complementa: “As coisas ficam mais favoráveis quando recebo o Bolsa Família.”
Na tese, Maria Zênia descreve que as mudanças nas refeições e nos alimentos das famílias são impulsionadas pelo acesso a uma renda por meio da aposentadoria ou de programas sociais e também pela convivência em setores urbanos.
O estilo de vida urbano exerce uma influência significativa sobre as decisões alimentares das famílias rurais investigadas na tese, moldando tanto os hábitos de consumo quanto as preferências.
De novo, o levantamento feito por nossa equipe ajuda a entender os números:
“No meu caso, compro pouco em feira livre de alimentos livres de agrotóxicos porque recebo vale da empresa e infelizmente essas feiras não aceitam o tipo do cartão”;
“Além do preço, vejo que atualmente as pessoas estão sem tempo e com isso acabam optando por uma alimentação pronta ou como base alimentos ultraprocessados pela facilidade”;
O Alimenta Cidades, ferramenta que compõe a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar nas Cidades instituída pelo Governo Federal, mostra que 14,77 milhões de pessoas vivem em pântanos alimentares. Esses espaços são definidos pelo excesso de ultraprocessados ofertados.
As duas cidades com maior percentual de pessoas nesse contexto são: Fortaleza, a maior capital da região, com 2.428.678 habitantes (314 mil em pântanos), e Recife, 3º maior capital em população, com 1.488.920 habitantes (253 mil em pântanos).
Outros 25 milhões de pessoas vivem em desertos alimentares, ou seja, em áreas onde a oferta de alimentos de qualquer tipo, saudável ou não, é baixa. “Em Aracaju, a distância entre locais é menor do que em outras capitais, mas o transporte público é deplorável e isso afeta bastante o acesso [a alimentos saudáveis]”. Essa é uma das respostas que coletamos em nosso formulário. “Muitos mercados locais hoje vendem, em maioria, ultraprocessados e o setor de frutas, vegetais e hortaliças reduz cada vez mais, ao mesmo tempo que tem crescido bastante a quantidade de atacados.” Como diz a pessoa, é um copia-e-cola do modelo disponível em outros locais do país. Assim como em Caruaru, cresce a presença de atacarejos, ofertando alimentos frescos de pior qualidade do que as feiras livres.
Um império nordestino
A fabricante das marcas mais vendidas de biscoitos no Brasil é nordestina. Mais do que isso, a M Dias Branco sempre retira do Nordeste a maior fatia de seu faturamento – olhando os relatórios da empresa desde 2006, o menor percentual de receitas obtidas na região de origem foi nada menos que 59%, em 2020.
O presidente do grupo, Francisco Ivens Dias Branco, faleceu em 2016, com 81 anos, e foi o homem mais rico do Nordeste – o 17º maior bilionário brasileiro, segundo a lista da Forbes naquele ano. A fortuna deixada prosperou, partindo do município de Eusébio, no estado do Ceará, uma das maiores indústrias de alimentos do Brasil. São 22 indústrias ou complexos industriais em todos os estados do Nordeste, Sudeste e Sul do país, totalizando 23 marcas que geraram uma receita líquida de R$ 10,8 bilhões em 2023.
Qualquer corporação adora contar a história de suor e sucesso de alguém que saiu de uma vida humilde para a fortuna. Nenhuma delas fala sobre benesses governamentais. No caso da M Dias Branco, o total das desonerações apenas em impostos federais de 2015 a 2020 é R$ 424,7 milhões.
Outra gigante que impacta a disponibilidade de ultraprocessados nos territórios é o Grupo Solar, uma das maiores fabricantes do Sistema Coca-Cola no Brasil, com atuação em 70% do território nacional.
Em 1999, a Solar inaugurou a fábrica de Suape, localizada no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Na época, essa unidade foi considerada uma das maiores e mais modernas fábricas do Sistema Coca-Cola na América Latina. Sua atuação abarca hoje 9 estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e 3 do Norte (Amazonas, Pará e Rondônia).
A Solar fabrica, comercializa e distribui produtos que vão desde refrigerantes e energéticos até sucos e água. A disponibilidade desses produtos é ampla, enquanto 33 milhões de pessoas no país não são atendidas pelas empresas de saneamento. Diante disso, a falta de acesso à água potável gera a adesão à água engarrafada. Quem ganha com isso? A Coca-Cola está três vezes inserida no top 5 de maiores engarrafadoras de água mineral. São elas:
Spal Indústria Brasileira (Coca-Cola)
Indaiá (Edson Queiroz)
Minalba (Edson Queiroz)
Fountain (Coca-Cola)
Caf Crystal (Coca-Cola)
Para 2025, a Solar anunciou um investimento de R$ 1,5 bilhão principalmente para modernização e expansão de suas operações. O CEO André Salles diz: “A gente tem que saber exatamente quando um rio está cheio para poder navegar.”
Receba conteúdos exclusivos do Joio de graça no seu email
Como colocar um freio nessa transição
Embora tudo trazido anteriormente aponte para o aumento do consumo de ultraprocessados no Nordeste e a transição alimentar na região, existem iniciativas que confrontam esse fluxo. O estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras (CAEB), realizado entre 2022 e 2024, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com outras instituições, busca entender como o ambiente alimentar das escolas pode influenciar nos hábitos de crianças e adolescentes. Quanto mais próximo de 100 o índice estiver, maior a saudabilidade do estabelecimento. João Pessoa é a capital nordestina que se destaca, com 62,95, perto dos 68,80 de Porto Alegre, cidade que teve o melhor índice.
No interior do agreste pernambucano, em Garanhuns, há uma história que chama atenção. No Colégio Quinze de Novembro, particular, uma atividade de culinária encantou os alunos com uma sopa de legumes coletiva na educação infantil. “Em janeiro de 2010, a gente implantou toda a cozinha, e em fevereiro de 2010, iniciou o projeto Leva Sabor, efetivamente”, nos conta a nutricionista Keite Elem, que executou o projeto. “A princípio, para os alunos da educação infantil, como um teste, e depois foi se ampliando para as demais turmas”, continua.
O colégio é o único da cidade com o chamado Selo Amarelo, concedido pelo Ministério da Educação a escolas que seguem as diretrizes, mas que não atingem os padrões mais altos de qualidade alimentar. Ou seja, indica que a escola está cumprindo algumas, mas não todas, as exigências e recomendações do programa em relação à alimentação dos alunos. Por quê? Mais uma vez, esbarramos nas cantinas. Keite traz de volta a necessidade da regulamentação sobre a oferta de produtos ultraprocessados nas escolas.
Se o Brasil como um todo ainda sabe ser resistente aos ultraprocessados, o Nordeste em particular sabe ainda mais.
Artigo O Nordeste está vivendo uma mudança nos hábitos alimentares? publicado em O Joio e O Trigo.
Reportagens – O Joio e O Trigo Leer más